19 de setembro de 2020

RMC mantém desaceleração nos casos de coronavírus após um mês na fase amarela do Plano SP

Mesmo com queda, infectologista considera prematuro retorno às atividades na educação básica; aulas de reforço voltaram em algumas cidades do Estado


Por Redacao 019 Agora Publicado 08/09/2020

A Região Metropolitana de Campinas (RMC), que avançou à fase amarela do Plano São Paulo há um mês, apresentou queda de 10,5% nos casos de coronavírus na 36ª Semana Epidemiológica, correspondente ao período de 30 de agosto a 5 de setembro. Mesmo com quedas consecutivas, o infectologista André Giglio Bueno, em análise feita ao Observatório PUC-Campinas, considera prematura a possibilidade de retorno às atividades escolares. Em alguns municípios do Estado, as aulas de reforço voltaram nesta terça-feira (8).

Para o professor de Medicina da PUC-Campinas, a impossibilidade de antever o comportamento da doença inviabiliza o retorno seguro das crianças ao ambiente escolar. “É necessário encontrar formas seguras para a volta às atividades escolares. Adotar como único critério a criação de uma vacina, que pode demorar e até mesmo não existir, não parece ser razoável. Não é razoável, do mesmo modo, ignorar as orientações estipuladas pela Organização Mundial da Saúde, tal como ocorreu nas flexibilizações de outros setores, motivadas por pressões econômicas e políticas. É importante frisar que estamos diante de uma doença sem vacina e com letalidade considerável”, diz Giglio.

O médico afirma, ainda, que as decisões em torno da retomada das aulas presenciais envolvem a garantia de três aspectos básicos: controle da epidemia, pautado em vários indicadores, como queda contínua de hospitalização e internação; capacidade de resposta do sistema de saúde a um eventual aumento de casos; e adoção de medidas para quebrar as cadeias de transmissão.

Campinas, mesmo com a redução de infecções nas últimas semanas, afastou chance de abertura das escolas em setembro. Na 36ª Semana Epidemiológica, a cidade apresentou 1,5 casos, 8,48% menos em relação ao período anterior. Queda de 6,5% também foi registrada no Departamento Regional de Saúde de Campinas, que integra 42 municípios. Ainda assim, o DRS-Campinas segue na segunda posição do Estado em número de casos e mortes, atrás apenas da Grande São Paulo.

Até 5 de setembro, o DRS-Campinas apresentava 91,5 mil casos, sendo 67,9 mil na RMC e 28,4 em Campinas, cidade que, embora esteja em queda ascendente em número de mortes (-16,67% em relação à semana anterior), tem o segundo pior coeficiente de mortalidade da região a cada 100 mil habitantes. Os dados atualizados estão disponíveis no Painel Interativo do Observatório PUC-Campinas pelo site https://observatorio.puc-campinas.edu.br/covid-19.

Economia

Mesmo com as últimas flexibilizações, a pandemia continua afetando a atividade econômica em todas as cidades brasileiras, inclusive as da RMC. A queda produtiva, que limitou oportunidades de emprego e causou redução na renda da população, deve atrasar a recuperação da economia. A retomada do consumo, imprescindível para esse processo, deve sofrer prejuízo em virtude da diminuição pela metade do auxílio emergencial.

Para o economista Paulo Oliveira, que coordena as notas técnicas referentes ao coronavírus pelo Observatório PUC-Campinas, a retomada depende da capacidade de consumo das famílias, das políticas de gastos públicos e da recuperação da economia internacional. No entanto, o governo tem pautado suas decisões na premissa de que os impactos econômicos serão de curto prazo, insistindo na manutenção do teto de gastos. Além disso, o aumento do dólar, indicando possível movimento inflacionário, deve causar impacto nos preços ao consumidor final.

“Neste contexto, a retomada da demanda interna, seja via consumo das famílias, seja via gasto do governo, deverá ser acompanhada de políticas de mitigação do aumento de custo de insumos como, por exemplo, a valorização do real em relação ao dólar”, destaca o docente extensionista, reforçando a tese de que a recuperação econômica depende de fatores além das reaberturas.

Observatório PUC-Campinas

O Observatório PUC-Campinas, lançado no dia 12 de junho de 2018, nasceu com o propósito de atender às três atividades-fim da Universidade: a pesquisa, por meio da coleta e sistematização de dados socioeconômicos da Região Metropolitana de Campinas; o ensino, impactado pelos resultados obtidos, que são transformados em conteúdo disciplinar; e a extensão, que divide o conhecimento com a comunidade.

A plataforma, de modo simplificado, se destina à divulgação de estudos temáticos regionais e promove a discussão sobre o desenvolvimento econômico e social da RMC.  As informações, que englobam indicadores sobre renda, trabalho, emprego, setores econômicos, educação, sustentabilidade e saúde, são de interesse da comunidade acadêmica, de gestores públicos e de todos os cidadãos.

Departamento de Comunicação da PUC-Campinas